quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Festa das Vindimas na Quinta do Gradil 2014



Aperitivo
O dia 20 de Setembro de 2014 começou a ameaçar chuva para os lados de Lisboa. O programa do dia estava reservado para a Festa das Vindimas da Quinta do Gradil. O convite tinha surgido no mês de Agosto. Aceitei. Alguns dias antes do evento contactaram-me a perguntar quantas pessoas iria levar comigo. “Quantas pessoas?”, perguntei a mim mesmo. Pensei que o convite era individual!... Pelos vistos podia ir acompanhado. Ainda tentei convencer alguém a acompanhar-me mas já estava em cima da hora. Indumentária colocada, arranquei, sozinho, em direcção à quinta para um dia diferente.


Entrada
Quando cheguei à quinta, percebi que deveria ter ido acompanhado. O movimento de carros era tanto que quase parecia estar numa cidade em hora de ponta. Famílias inteiras saiam dos veículos. Adultos, novos e menos novos, e crianças, algumas de colo, iam enchendo, bem-dispostos, o espaço da quinta. Dirigi-me à recepção. Sim, escrevi recepção. A organização era tão profissional que incluía uma recepção. Parecia que estava num congresso. “Registei-me” e, em troca, recebo um chapéu e uma t-shirt azul. Vesti a t-shirt e lá entrei na onda azul. Momentos depois, as “boas vindas” seriam dadas pelos anfitriões. Luís Vieira deu a cara e foram ditas palavras dignas da arte de bem receber, que parecem ser apanágio das gentes responsáveis pela quinta. No final da prelecção, indicou o caminho para o “mata-bicho” que antecederia a vindima.




Primeiro Prato
Estômago aconchegado, estava a aproximar-se a hora do trabalho árduo. O final da manhã havia ficado soalheiro. As nuvens, por vezes ameaçadoras, faziam-se aparecer mais ao longe. A temperatura estava bastante agradável. Fazia até algum calor que a roupa fresca e o chapéu procuravam domar. O ambiente humano era muito agradável. Um grupo de “dixie” dava música para os ouvidos…  Em fila, a onda azul deslocava-se para recolher as tesouras que haveriam de cortar os cachos. A mim calhou-me uma tesoura que me pareceu nova, delicadeza dos anfitriões, quiçá pensando que o blogger que escreve estas linhas seria um grande profissional do corte e que mereceria tamanho mimo. Entrei pela vinha dentro, devidamente acompanhado pelo resto do grupo e sob a supervisão dos verdadeiros profissionais do corte. Objectivo? Verdelho. Haviam-nos dito que o tempo irregular das últimas semanas já tinha feito mossa nas uvas. De facto, a podridão era bem visível, mais numas cepas que noutras, o que implicava cuidados redobrados na selecção dos cachos a vindimar. O corte foi feito ao ritmo da banda “dixie” que nos acompanhou no talhão vindimado. Os baldes passavam por mim, ora vazios, ora cheios com uns minutos de intervalo e o tractor que recebia as uvas ia ficando cada vez mais pesado. Vindima feita, o resto do trabalho foi feito pela maquinaria da adega. O mosto, de certeza, dará bom vinho… Espero vir a escrever sobre ele.




Segundo Prato
Entretanto, as hostes reuniram para mais um aconchego do estômago e da alma. Vinhos brancos e rosés (frescos, bem feitos e muito agradáveis) acompanharam uma panóplia de acepipes e enchidos que facilmente dispensariam o almoço. Chegada a hora do dito, fomos encaminhados para o interior da adega onde nos esperava um repasto digno de um casamento. Sólidos e líquidos harmonizaram-se na perfeição, bem acompanhados pela boa-disposição dos convivas. O anfitrião tinha pedido à entrada para o almoço: “comam e bebam, mas principalmente bebam”… Uns talvez tenham seguido o solicitado, outros talvez tenham sido mais comedidos. O que é certo, é que não havia dúvida que estávamos numa quinta onde se respira vinho tal a quantidade de garrafas que se passeavam pela mesa… Brancos, rosés e tintos, cada um “aviou-se” como quis…





Sobremesa
O estômago já dava mostras de querer sair do corpo e o cinto das calças já pedia para ser ajustado às novas dimensões do abdómen quando fomos convidados para as…sobremesas e o café que nos esperavam no espaço exterior! Cá fora, deparei com várias mesas com uma quantidade de frutas e doces dignos de uma boda. Ainda cheguei a procurar os noivos… Não consegui resistir ao chamamento das mesas. Fui pensando, contudo, que nos dias seguintes tinha de “queimar” uma quantidade bem valente de calorias… Precisava de andar. Tinha uma digestão para fazer. Dei um passeio pela vinha e regressei para assistir a uma animada e bem-humorada sessão de entrega de prémios no âmbito do passatempo que decorreu e que consistiu em adivinhar a quantidade de uvas que se tinham vindimado. Prémios entregues, ainda haveria mais um momento para…comer! Um bolo de chocolate, de tamanho generoso, apareceu para assinalar o evento, bem acompanhado por um espumante… No fim, ainda fomos presenteados com uma garrafa de vinho “Quinta do Gradil Tannat 2013”, resultado das uvas apanhadas aquando da Festa das Vindimas do ano anterior.






Digestivo
Em suma, foi um dia muito bem passado, num ambiente familiar, na presença de pessoas simpáticas e bem-dispostas. Depois de todas as emoções sentidas durante o dia, um agradecimento à família “Quinta do Gradil” pelo convite, simpatia, disponibilidade e arte de bem receber demonstradas. Para o ano, a presença está garantida se me quiserem ter como companhia. Garanto é que vou acompanhado…


Muralhas de Monção 2013 (Branco)



 
Verde
 
 
Alvarinho, Trajadura
 
3,19 € (Pingo Doce; preço promocional)
 
12 %
 
AVIN1124539568073
 

Cor citrina, alguma borbulha. Aroma exuberante, floral e com muita tropicalidade. Na boca revelou-se fiel ao nariz, frutado, com alguma doçura, cortada pelo ligeiro carbónico que apresenta, mantendo-se ao nível da língua durante a maior parte da prova mas a chamar o Verão. Um clássico omnipresente nas prateleiras de qualquer híper, super, minimercado ou mercearia de bairro. PVP a rondar os 3,80 euros.

Natural, curta, algo fissurada, molhada apenas na base
 
Maio 2014
 
Companheiro