Castello d'Alba Touriga Nacional Unoaked 2009 (Tinto)

Região: Douro
Castas: Touriga Nacional
Custo: € 3,71 (Continente; preço promocional)
Álcool: 13%
Vertido na folha: Ruby-violeta de média intensidade. Aroma floral, fresco, com a fruta vermelha em evidência. Boca macia, corpo médio, fácil, redondo, termina com média persistência. Um vinho descomplexado e bom companheiro para o quotidiano.
Rolha: Compacta, bom estado, tem uma inscrição de Victor Hugo: "Deus criou a água, mas o homem fez o Vinho".
Consumido: Fevereiro 2011
Apreciação: Companheiro

Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards 2006 (Tinto)

Região: Lisboa
Produtor: Enoport
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Custo: € 13,00 (Vinhos de Lisboa no Chiado 2009)
Álcool: 14%
Vertido na folha: Muito escuro, denso. Aroma muito sério, concentrado, a fruta madura, algum químico, notas de eucalipto, perfume floral e baunilha. Grande volume de boca, encorpado, vigoroso na estrutura mas ao mesmo tempo denota muita finura. A acidez é muito boa, o final é muito longo com notas de chocolate preto e madeira muito bem integrada. O vinho é servido em "garrafa de peso" e indica o ano de engarrafamento. Vinho com carácter.
Rolha: Longa, compacta, apenas molhada na base.
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Com Alma

Qunta do Regueiro Alvarinho Reserva 2009 (Branco)

Região: Verde
Produtor: Quinta do Regueiro
Castas: Alvarinho
Custo: € 9,85 (Coisas do Arco do Vinho)
Álcool: 13%
Vertido na folha: Amarelo-palha. Nariz inebriante com citrinos, algumas notas vegetais e perfume floral com fundo de fruto tropical, tudo em grande equilíbrio e grande estilo. Boca muito boa, com volume, acidez que o torna muito fresco, saboroso e com um final a preceito. Vinho com uma consistência de qualidade notável, colheita após colheita, a não perder.
Rolha: Compacta, apenas molhada na base.
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Com Alma

Quinta da Cassa Reserva 2007 (Tinto)

Região: Douro
Produtor: António Emílio Rocha
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca
Custo: € 10,70 (Coisas do Arco do Vinho)
Álcool: 14%
Vertido na folha: Muita cor, com um nariz não muito exuberante, algo fechado até, vai abrindo durante a refeição. Nessa altura revelam-se a fruta preta, algum perfume floral e notas de barrica sem predominância de nenhuma das componentes. Na boca sente-se volume, taninos espigados, algum  amargo e termina longo com secura e notas fumadas. Precisa de comida por perto.
Rolha: Compacta, bom estado, apenas molhada na base.
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Cordial

Dow's LBV 2004 (Porto)

Região: Porto
Produtor: Symington Family Estates
Castas: n/d
Custo: € 10,99 (Garrafeiras Soares) 
Álcool: 20%
Vertido na folha: Cor granada muito escura, quase opaca. O nariz é brindado com fruta vermelha e preta intensa, com notas de ginja. Na boca revela-se muito fresco, com a doçura da fruta em evidência e retronasal especiado. Termina longo com notas de chocolate preto.
Rolha: Bom estado
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Cordial

Dona Maria 2007 (Tinto)

Região: Alentejo
Produtor: Júlio Bastos
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah
Custo: € 6,69 (Jumbo)
Álcool: 14%
Vertido na folha: Rubi-violeta de média intensidade. O nariz é dominado por notas vegetais com o Cabernet a marcar presença, além da fruta vermelha madura. Encorpado, amplo, com ligeira agressividade inicial, arredonda na boca e termina com as notas vegetais do nariz e fumados de barrica. Alentejano de bom temperamento e a pedir acompanhamento sólido.
Rolha: Compacta, em bom estado, apenas molhada na base
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Cordial

Encostas de Alqueva Reserva 2007 (Tinto)

Região: Alentejo
Produtor: Cooperativa Agrícola da Granja
Castas: Moreto, Aragonês, Trincadeira
Custo: €2,99 (Continente, preço promocional)
Álcool: 13,5%
Vertido na folha: Rubi com rebordo violeta. Aroma a bagas silvestres com algumas notas florais. Corpo médio, redondo, alguma doçura e final de media intensidade. Um vinho com apego marcado à fruta e que denota a temperatura da planície que o viu nascer. 
Rolha: Bom estado, apenas molhada na base
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Companheiro

Solar dos Lobos Reserva 2007 (Tinto)

Região: Alentejo
Produtor: Silveira e Outro Lda
Castas: Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignom, Touriga Nacional, Syrah
Custo: € 7,80 (Fumos e Mitos)
Álcool: 14%
Vertido na folha: Vermelho-rubi de média intensidade. Bom nariz com as notas apimentadas do Cabernet a conjugarem-se bem com a fruta silvestre e as notas tostadas da madeira. Boca ampla, sedosa, com boa acidez que a ligeira doçura arredonda. Termina longo com notas fumadas. Vinho que se bebe com prazer, capaz de alegrar muitas bocas. 
Rolha: Compacta, bom estado, apenas molhada na base
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Cordial

CARM Reserva 2008 (Branco)

Região: Douro
Produtor: CARM
Castas: Códega do Larinho, Rabigato, Viosinho
Custo: € 8,25 (Garrafeira Nacional)
Álcool: 13%
Vertido na folha: Amarelo citrino com leve toque dourado. As notas tostadas dominam no nariz, a par da baunilha, citrinos e da fruta tropical (coco, maracujá). A boca é encorpada, cheia, mineral mas não especialmente fresca com as notas tostadas a surgirem no final num ambiente com boa complexidade. É um Branco com impacto, de prazer que pede para ser bebido no período Outono/Inverno.
Rolha: Compacta, bom estado, apenas molhada na base
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Cordial

Lagar de Darei 2009 (Branco)

Região: Dão
Produtor: Casa de Darei
Castas: Encruzado, Bical, Malvasia Fina
Custo: € 3,50 (Adegga Wine Market 2010)
Álcool: 12,5%
Vertido na folha: Amarelo cristalino, ligeiro gás. Nariz agradável a fruta branca, nomeadamente pêra madura. A boca tem o passo acertado com o nariz, revelando-se harmoniosa, com a acidez a tornar o vinho fresco e prazenteiro. Bom vinho para o preço e com um teor alcoólico fora de modas.
Rolha: Base e superfície natural, aglomerado no meio, bom estado, apenas molhada na base
Consumido: Janeiro 2011
Apreciação: Cordial

Balanço do Ano 2010: Vinhos Compartilhados no Blog

Chegou a hora de fazer o balanço do Ano 2010 em termos dos vinhos vertidos na folha e compartilhados por aqui. Porquê fazê-lo só agora quando já decorreu mais de um mês do final do ano? A resposta é simples: só recentemente consegui compartilhar todos os vinhos consumidos em 2010.
Resolvi fazer o balanço em termos dos vinhos que mais me impressionaram, as boas relações qualidade-preço e análise estatística de alguns parâmetros que resolvi fazer e achei engraçado compartilhar, apenas como curiosidade.
Vamos então aos factos.

Vinhos que mais me impressionaram
Na lista seguinte apenas refiro aqueles que foram objecto de comentário neste espaço. Outros foram bebidos e apreciados que muito me impressionaram (Abandonado 2007, Charme 2007, Quinta das Bágeiras Garrafeira 2005, Sidónio de Sousa Garrafeira 2005, vários Vintage, etc.) mas foram-no em condições que não me permitiram ou não achei adequado tirar notas para serem compartilhadas no blog.

Eis então a lista dos 10 vinhos que mais me deram prazer compartilhar em 2010:

Burmester Tordiz 40 Anos Tawny (Porto)
Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2006 Tinto (Alentejo)
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2008 Branco (Dão)
J (José de Sousa) 2007 Tinto (Alentejo)
Soalheiro Alvarinho 2008 Branco (Vinho Verde)
Herdade do Meio Garrafeira 2004 Tinto (Alentejo)
Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2001 Tinto (Lisboa)
Dalva Vintage 2000 (Porto)
Quinta das Tecedeiras Reserva 2007 Tinto (Douro)
Bacalhoa 2008 (Moscatel de Setúbal)

Os campeões das boas relações qualidade-preço

Cada vez mais importantes nos dias que correm, os vinhos com boas relações qualidade-preço alegram-nos o coração e são amigos da carteira. Eis uma selecção dos que me deram mais prazer beber por menos dinheiro:

Adega de Pegões Alicante Bouschet 2008 Tinto (Setúbal)
Bacalhoa Colheita 2003 (Moscatel de Setúbal)
Burmester 2007 Tinto (Douro)
Cabriz Encruzado 2009 Branco (Dão)
Castello d’Alba Reserva 2008 Branco (Douro)
Herdade Grande Colheita Seleccionada 2008 Branco (Alentejo)
Monte Judeu 2007 Tinto (Lisboa)
Pegos Claros 2005 Tinto (Setúbal)
Quinta da Garrida 2007 Tinto (Dão)
Quinta do Penedo 2007 Tinto (Dão)
Solar dos Lobos 2008 Branco (Alentejo)

As estatísticas
Resolvi fazer um pequeno estudo estatístico dos vinhos compartilhados por aqui, nomeadamente quanto às cores/tipos, apreciação, preços, regiões e castas. Podem encontrá-lo aqui.

Conclusões
O ano de 2010 foi um ano bom em termos dos vinhos compartilhados no blog. Para primeiro ano (mais concretamente 7 meses) a experiência foi interessante. Provou-se, à evidencia, que se pode beber bem e a preços cordatos. A maior parte dos vinhos compartilhados podem ser adquiridos a menos de € 10 a garrafa e foram apreciados muitos com valor inferior a € 5. Em quantidade, Douro e Alentejo dominaram nos tintos enquanto que nos brancos o Vinho Verde teve as minhas preferências de consumo, além do Alentejo. Quanto a castas, a Touriga Nacional e Tinta Roriz dominaram nos tintos enquanto que nos brancos o Arinto se destacou. Veremos o que nos reserva 2011.

Duas Quintas 2008 (Tinto)

Região: Douro 
Produtor: Ramos Pinto
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Custo: € 8,99 (Continente)
Álcool: 13,5%
Vertido na folha: Rubi-violeta. Aroma típico da juventude com as especiarias e a fruta silvestre a virem acompanhadas com algum perfume floral. A boca é dominada pela fruta revelando bom equilíbrio e acidez a pedir acompanhamento sólido. Termina com comprimento médio com algumas notas de barrica. Um tinto sóbrio.
Rolha: Compacta, boa qualidade, molhada apenas na base
Consumido: Dezembro 2010
Apreciação: Cordial

Vila Santa Syrah 2007 (Tinto)

Região: Alentejo
Castas: Syrah
Custo: € 9,75 (Supermercados Sá)
Álcool: 14,5%
Vertido na folha: Vermelho escuro, com rebordo violeta. Fruta vermelha compotada, especiarias e fumados chegam-nos ao nariz. A boca é ampla, suave, saborosa, com estrutura e acidez a compor um final fresco e prazenteiro. 
Rolha: Compacta, em óptimo estado, apenas molhada na base. 
Consumido: Dezembro 2010 
Apreciação: Cordial

Visita à Herdade das Servas 2011

No dia 20 de Janeiro tive oportunidade de visitar a Herdade das Servas, a convite do Director Comercial Artur Diogo. O objectivo principal da visita era mostrar o potencial de envelhecimento dos vinhos da casta Touriga Nacional na Herdade das Servas e demonstrar o seu sentido gastronómico em diferentes estados de envelhecimento, por harmonização com pratos confeccionados pelo conhecido Chef Audusto Gemelli.
Saída de autocarro de Lisboa às 9:30h com companhia enófila (essencialmente jornalistas e bloggers; cerca de 30 pessoas) e chegada à Herdade cerca das 12h. Na recepção fomos brindados com tapas alentejanas regadas com Monte das Servas Colheita Seleccionada 2009. Seguiu-se uma visita à adega e à cave tendo os administradores Carlos e Luis Mira e o enólogo Tiago Garcia como cicerones. Chegados à hora de almoço, fomos brindados com uma prova vertical dos vinhos Herdade das Servas Touriga Nacional 2003, 2004, 2005 e 2006 harmonizados com pratos especialmente criados pelo Chef Augusto Gemelli.

O almoço correu muito bem, iniciando-se com uma introdução pelo Chef a explicar o que norteou a sua escolha dos pratos para os vinhos em prova, continuando com boa conversa à mesa e terminando com o estômago e espírito reconfortados. O regresso ocorreu por volta das 18h com a sensação de um dia muito bem passado.
Os meus parabéns a toda a equipa que idealizou o evento e acompanhou os visitantes, em especial à Joana Pratas que esteve presente do princípio ao fim da viagem. Os meus agradecimentos pelo convite formulado e o desejo de continuação do muito bom e sério trabalho que se nota estar a ser feito na Herdade das Servas. Sobre os líquidos e sólidos provados, eis os meus breves comentários:

Monte das Servas Colheita Seleccionada 2009
Acompanhou as tapas alentejanas (pão, enchidos, queijo).
Fiquei bem impressionado com o vinho, com aromas de fruta branca e tropicais intensos revelando muito boa complexidade. Boca muito elegante, volumosa e final bastante persistente, aguentará com certeza pratos com alguma substância. Um reparo para o rótulo do vinho (que comprei): refere temperatura de consumo 16/18 ºC o que é com certeza uma gralha…

Herdade das Servas Touriga Nacional 2003

Acompanhou um “carpaccio” de espadarte marinado sobre creme de grão-de-bico ao cominho, tomatinhos no forno e azeite de rúcola.
Para mim, o melhor vinho do dia vestiu-se de roupa ainda carregada e apresentou-se com nariz especiado, muitos fumados, chocolate preto, algum perfume floral e boca excelente, volumosa, elegante e acidez a prolongar muito o final. Deste vale a pena beber muito e com boa companhia. Comportou-se lindamente no copo ao longo das cerca de 2h de refeição. Apesar da harmonia um pouco arriscada com o prato, surpreendentemente (ou talvez não) funcionou muito bem. Nota alta também para o prato.

Herdade das Servas Touriga Nacional 2004
Acompanhou um polvo caramelizado e “fumado” em cama de "pappa" de tomate e hortelã, perfume de trufa branca.
Um vinho na linha do 2003 mas com cor claramente mais marcada pelo tempo e um nariz um pouco menos complexo. Boa a harmonização com o prato servido.

Herdade das Servas Touriga Nacional 2005
Acompanhou um “ravioli” de massa de espinafres recheados com farinheira de presunto e azeitona, espelho de "pesto" de manjericão e queijo Pecorino jovem.
Estivemos na presença de um vinho com cor opaca e ainda com certa juventude, mais circunspecto de aromas mas cuja boca se mostrou cheia e vigorosa a dizer que, para os apreciadores de vinhos mais harmonizados, há que esperar ainda por ele. O estilo robusto do vinho aguentou bem o prato proposto.

Herdade das Servas Touriga Nacional 2006
Acompanhou um lombinho de Porco corado na salva com "risotto" de barriga fumada, batata nova e alecrim.
Um vinho na linha do 2005, ainda relativamente fechado mas em que se notam mais as notas florais típicas da casta. O estilo é de grande concentração na boca, com os taninos a dar um ar da sua graça, boa acidez, potente mas bebível desde já para quem gosta de vinhos mais possantes. Boa aposta para a harmonização pretendida se bem que, para mim, foi o prato menos conseguido.

Herdade das Servas Touriga Nacional 2008
Um bónus, ainda não está no mercado. Cor violeta que não deixará ninguém indiferente. Como seria de esperar, está muito jovem apresentando um nariz inebriante a flores e fruta vermelha muito madura. A boca dança o tango com o nariz, num registo guloso e muito prometedor (se se aguentar esperar por ele…).

Licoroso Herdade das Servas
Acompanhou um “bolinho” de maçã e caril com molho de caramelo e chocolate branco. Muito bom o bolo. O vinho é para consumo interno da família. Não aspira a mais nem esse é, com certeza, o propósito da família que gere a Herdade.